Imagem capturada no Blog: http://www.portugalnet.pt/pnet/membro.asp?cod_leitor=34078 Mas desconheço o autor. 


CANSADA

 

Estou triste, cansada. Deve ser o estresse de fim de ano que para nós, professores, é de doer. O fim do ano chega a nos presentear com dias de fúria. Apesar de ter tido algumas respostas ontem sobre projetos espirituais, hoje, ao fim desse dia, descobri que estou chateada. Não me perguntem porque, já que talvez nem eu saiba responder. Mas estou chateada. Triste por ver que pessoas que eu amei e ainda amo não falam mais comigo, pelos seus próprios caprichos, por suas mesquinhezas e porque não dizer, por suas esquisitices. Nem vou me defender de coisa nenhuma. Tenho muita culpa em todos os meus relacionamentos: Eu amo. E o pior, declaro isso 24 hs por dia. Mas digo de encher o saco. Meu pecado: eu amo e amo muito.

Vamos por etapas. Se você consegue manter um relacionamento com um homem (sabe pessoas com as quais você tem uma sintonia sobrenatural?) e diz a ele que o ama, imediatamente ele vai tratá-la diferente, porque talvez ache que você quer namorar-pegar-transar-ou-seja-lá-mais-o-que. E não é o que caso. Claro que ele pode até ter aquele charme que você adoraria dar umas pegadas. Mas o cara tem namorada-esposa-dona-ou-sei-lá-mais-o-que e você tem uma ética cristã e nunca faria isso. Mesmo quando ele chega bem perto de você quase tirando o seu completo juízo, mas você se mantém.... eu diria, fiel, pelo menos às suas convicções, não exatamente a ele...rs Somos humanos, a pele arde. Tudo conspira. Mas você se mantém, estátua. Pelo bem da humanidade, não é assim?

Pois é. Para que servem os amigos, homens? Vai que passa pela cabeça dele que você está confundindo a amizade e deve estar apaixonada por ele. Ai que peninha. Então ele a enche de cuidados, porque não quer magoá-la. E vai enchê-la de "amiga" pra cá, "amiga" pra lá... repete tanto o "amiga" que você está quase acreditando que ele é gay. Antes fosse. Assim você não pensaria nele de noite, e nem gastava horas pensando o quanto seria bom provar daquela boca. Que nada, poderias estar fazendo algo mais útil, pára de pensar nele.  Antes ele fosse gay, esses amigos tão moças, que você é capaz de tirar a roupa na frente deles que não vai acontecer nada. Nada. Não acontece nada porque até hoje não conheci nenhum ex gay que deixou a opção por causa de uma mulher. Balela. Esquece.

Mas esse seu "amigo" tem que lhe lembrar o tempo inteiro que você é "a-melhor-amiga-dele"? Será que ele está com medo de admitir que percebeu que você está caidinha por ele, e que mesmo assim vai resistir até não suportar mais e até vai contar para ele que está paquerando e apaixonada por Jesus Luz (aquele da Madona, lembra?) só para ele relaxar e parar de repetir a infame "amiga" pra cá e o "amiga" pra lá? Tem coisa mais gay que isso?

Ou será que é esse o propósito? Talvez. Se ele depois disso passar a evitar você, não responder aos seus emails mesmo quando você consegue contar aquele sentimento mais íntimo que não contaria a ninguém... então, melhor que ele fosse gay. Mil vezes ele fosse gay. Seria menos constrangedor, porque ai você se convenceria que isso era um caso perdido e continuaria até chamando-o, de amiga. Seria mais justo. Por que droga você teve que escolher um homem para ser seu confidente? Não poderia ser mulher? Assim não corrias nenhum risco já que tens certeza da sua sexualidade hetero. 

Mas espera ai, quem consegue escolher quem vai amar? O coração é um bicho burro e cheio de vontades. Não vai aceitar suas imposições. E quem disse que estás apaixonada? Não, estamos só explicando a raiva que dá de ver um homem chamar a mulher de amiga. Melhor mesmo que ele fosse gay. Ou assexuado. Melhor, não? Quem sabe vegetariano, macrobiótico... sei lá. Qualquer coisa que você deteste. Assim você nem vai sentir a falta dele nos dias em que não estiverem juntos. E nem vai se arrepiar quando a pele dele tocar a sua. Pronto, está resolvido. Seu corpo não tremeria se ele fosse gay. Será?

Mas não. Ele não é gay. E você fica chateada e tem que manter uma certa rigidez com ele, e mudar de lado na calçada ao encontrar com ele, fingir que nem viu, e quando esbarrar com ele for inevitável, dizer: Oi, estavas ai, nem tinha te visto. E passar soberana para outra calçada para cumprimentar seja lá quem for. É só uma desculpa para você fugir dele e da vontade que você tem de agarrar esse seu "amigo" e dizer uma monte de besteiras para ele (ou coisa muito pior, melhor fugir mesmo).

Mas você não fará isso, porque ele mesmo vai mudar de calçada e você não terá a chance de demonstrar sua frieza, pois ele, mais rápido, terá jogado o balde de água fria em você. 

É. Hoje estou triste, chateada, ou sei lá mais o que. Chateada porque gostaria de estar escrevendo alguma coisa que preste e só consigo pensar em bobagens e visitar sites sem nenhuma utilidade. 

Mas pior mesmo não é isso. Pior, pior, mas pior mesmo é você achar que esse seu "amigo", sim esse mesmo que você adoraria que fosse gay, é o seu melhor amigo. Tão melhor e tão mais perfeito que você daria tudo para ele não ter com você a menor frescura e entendê-la até no seu silêncio e você não precisar se explicar tanto. Pior mesmo é você ter a certeza que estar com ele é conseguir ser melhor as próximas 48 horas da sua vida. 

Pequeno é quem separa as relações humanas em categorias e o amor em panelas apropriadas e de tamanhos variados. O amor é farto, ele mesmo se explica e não se encaixa. Por isso que os seres humanos se desencontram tanto, porque querem categorizar todos os sentimentos. Eu continuo amando sempre, e na intensidade da possibilidade de morrer no minuto seguinte. 

É, melhor é mudar de calçada. Mas não briga com ele. Porque assim ele vai morrer achando que você está mesmo apaixonada por ele. E isso não é verdade, estou certa?

Estou farta da solidão desse blog e dos links dos meus amigos ai ao lado todos antigos. Sumiram todos. E eu acho que talvez seja a hora de fechar a bodega. 

Estou mesmo cansada. 

E triste. 

 

 

O SONHO


Estava quase dentro. Madalena podia sentir isso dada à proximidade do seu pensamento. Como ele podia não se ver ali? O que mais precisava ser dito? Naquele momento, as palavras poderiam confundir ao invés de explicar. E algumas coisas definitivamente não se explicam. A pele dele tocando a dela parecia ter a exata proporção da intimidade consentida. Ela estava no dentro quando eles quase mergulhavam. Mas isso era um código quase imperfeito para se decifrar. O cheiro dele se misturando ao cheiro do ambiente demarcava um território que só Madalena poderia contemplar. Jardins suspensos. 

 

Madalena sentia o seu cheiro e se fazia dengosa diante dele. O mínimo toque e ela paralizava. Mais um pouquinho e estaria consumado. O desejo tinha cheiro adocicado e de cores diversas. O moço se fazia de cego, mas o olhar de Madalena gritava em uma melodia que as vezes precisava ser disfarçada. Como ele poderia não entender? Ela ria, mexia nos cabelos, jogava-os para trás numa clara timidez de quem não tinha mais o que dizer. O sussurro seguinte era para distrair o desejo.

 

Se dependesse dela, não diria. Porque tudo o que dissesse poderia ser usado contra a sua inocência naquele momento.

Ela bem que queria perder as rédeas e todo o juízo que ainda restava naquela cabeça de vento. Não era a Madalena, a louca varrida? E o desejo não estava na pele dela como tatuagem? Ele cruzou o braço sobre a sua cabeça, falou algo ao seu ouvido e sua cabeça dobrou. 

 

Sonhei com você. Soltou Madalena quase monossilábica. Hummm. Foi? Pode contar, ou é segredo?

 

Ela contaria. Se ele pudesse ouvir. Ela tocaria se ele pudesse sentir. A sua ansiedade era tanta que o seu coração poderia ser ouvido de longe, mas talvez ele não conseguisse ouvir. Ou talvez, os preconceitos de Madalena se surpreenderiam com o que guarda o coração daquele moço que compreende a intensidade da lua, quando ela se esconde onde ninguém mais vê.

 

Madalena bem que poderia contar o seu sonho. Mas ai o que estava oculto perderia o calor do segredo e do desejo que quase o toca, quando ela o pensa dormir.

 

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